quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Das maiores mágoas


Das maiores mágoas

foi gerada esta vida

espécia aflita


Afligida
Restabelecida
No vácuo de sentidos inexatos

Uma caixa de remédios
Outras
Mãos trêmulas
Firmes

Meu Deus

Único companheiro e amigo...

Porque se perde tanta coisa e as novas adquiridas são tão vazias?
Porque ao fim do dia tudo oque nos resta é o cansaço

Quando ainda vivos?

Talvez em uma nova explosão, as pessoas deixem de serem fazedoras...

Das maiores mágoas

e nossos espíritos deixem de serem fantasmas

de nossos próprios corpos

“Não se abrigue sob uma árvore em dias de tempestade”




Após a chuva
Seu rosto frio
Revela cansaços

Suas frases deixam de ser importantes e uma música nova
ressurge

Ao toque da dor
desespero
você diante de uma verdade...
Tentara correr, abrigar-se
Revelar-se
Às pressas sob a primeira árvore em dia de tempestade...

Erros

Agora sua pele tem outras marcas
Seus ossos enfraquecidos
O impedem de prosseguir
E somente uma idéia desconcertante perdura:

É preciso colher as frutas das árvores selecionadas
Montar seu abrigo e viver
Viver só

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Políciar a polícia...

Você alguma vez já passou pelo constrangimento de ser revistado, afrontado em lugar público? Se sim, pode imaginar o embaraço e constrangimento em seu mais alto nível. De um lado, você, cidadão honesto, pagante dos exorbitantes impostos, inocente. Do outro, o "bando" de onipotentes, desinformados, acéfalos, onipotentes, "policiais"....

O teatro é armado. Você se pôe aos caprichos, encenações, humilhações e toda a tentativa de clamar por sua inocência é findada em ameaças...

Nada há que se possa ser feito. Por algum momento você é sim o criminoso, culpado...

E nos sobra apenas alguns xingamentos mentais. " Vai toma-te-crú", "bem-di-tos"...

O circo se desarma...

Você com o coração e mente destroçados. Brio enlameado, olha em sua volta e acredita que está só...

Aqueles que deviam protegê-lo agora se voltam contra ti e por fim, tudo acaba nas delegacias mundo afora...

Soltam-se os culpados. Prendem-se os inocentes.

Esta é uma realidade diuturna. Mostra-se serviço, postam-se de " Swat"e a coroa mental se materializa em suas cabeças...

Se você tem em mãos um telefone e decide ligar para pedir ajuda, tente o CVV, mas nunca, nunca o 190...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

seres ausentes

Entendo os frustrados, que não aceitam o tamanho do seu nariz, a cor da sua pele, o tom da sua voz, sua condição financeira, do pesadelo de ser brasileiro...
Entendo aqueles que modificam seu rosto, corpo, retirando cicatrizes...
Que malham durante horas em busca de um físico melhor.Ou os que comem incessantemente afim de saciar perdas, quedas, momentos de puro vazio. Sim. Entendo e compreendo a todos, pois estamos em uma fila infinita de buscas a lugares inexistentes, sentidos frustrados e caminhando ao que chamamos de sucesso, quando na verdade a palavra certa é sempre a mesma: regresso.

Tentar de novo

Vivo em um mundo dinâmico. Dentro de mim mesmo. Vejo e recebo pessoas virtuais por entre a atmosfera crescente de desejos, esperanças, desespero e solidão. Faço meu barco de papel, grande o bastante para ocupar espaço de meus sonhos. Corroídos, amedrontados como o de um brasileiro consciente. Peso as horas e pergunto-me. Quem sou? Quem fui? Que ousadia foi aquela de ter adentrado o útero e tornado-me eu mesmo?
talvez os pesadelos que acompanha-me durante as noites, o amor crescente, ácido corroendo arrependimentos diuturnos, trarão como resposta um novo mapa, de um novo universo, reverso a tudo que conheço e poderei mudar o futuro, para afetar meu passado, alterando as coordenadas do fenômeno nascimento para um outro País e pais...
Meu Deus, Meu amigo, só mesmo o senhor para dar sentido ao ar que respiro, sem que a ameaça de procurar em outras pessoas, uma nova parte de mim, torne-se distante, inalcansável...
Luto e estarei sempre de luto, por alguém que já morreu antes de mim, em mim mesmo.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Dia de cão

Pela manhã, levantei-me irrequieto. Tomei minha vitamina de frutas e cereais, conversei um pouco com meu hammster, paloma e dirigi-me ao banheiro. Quando sem roupas, toca o telefone. Dirigi-me ao quarto, peguei o fone do gancho e descobri ser uma colega que precisava dos meus serviços de manutenção em computadores. Em menos de trinta minutos, lá estava eu, imerso em pensamentos, pessoas ao meu lado, mas distante de tudo. Alguns alunos foram chegando, reconhecendo-me, cumprimentando e eu alí, letárgico...
Foi quando percebi que as horas haviam passado e eu, pela primeira vez, não concluira o trabalho.Retornei à minha casa, após o serviço imcompleto. Minha cabeça doia, sentia-me fraco, tonto e cansado. O calor estava muito forte...
Naturalista e saudável como sou, jamais pararia em uma lanchonete para comprar salgados, mas foi oque fiz. Comprei duas esfihas e um enroladinho de salsichas. Pedi pra viagem e apressei-me. Já em casa comecei a devorar os salgados. Nada de saladas, carne-de-soja, frutas. Só junk food mesmo. Se me preocupei? Não. estava com um vazio tremendo, avidez em recolher-me ao banho e em seguida cama.Oque me ocorria?Não sei. A vida tem sido um fardo ultimamente. Tenho sentido-me só, inconsolável, fraco, perdido,fracassado...
Olhei-me no espelho. Minhas pálpebras caídas, cansaço de uma luta interna, digna de apoteose. Sintonizei uma rádio, outra, até decidir por escutar um cd. Jealous cantada lindamente por Sinèad O'connor. Parei um pouco. Respirei fundo e conduzi-me ao passado. Quem sou e oque faço por aqui?Alimentando vontades crescentes de ir embora, conseguir alguém que realmente me ame, entenda, considere meus erros e que sorria sempre quando perto estiver?...
Remeto-me aos meus pais. Oque pensaram quando fazia de mim um projeto do vazio? Quem afinal insistiu para adentrar a este mundo tão cruel, fatídico? Seria o amor que poderiam ter me dado quando mais precisava ou apenas descuido de um momento absolutamente estúpido e sexual? Não sei. Jamai saberei ao certo...
Deitei-me nú, arrasado não suportando a campainha que alguém insistia em tocar. Adormeci...
Por volta das dezenove horas, vesti-me para a alegria que tenho diariamente; academia a qual frequento. Uma chuva torrencial começara a cair. Bom. Peguei um guarda-chuvas e arrisquei-me por entre as pesadas gotas. Molhei-me todo. Tênis, bermuda, camisa. Todo. A noite estava esfriando. Resolvi abrigar-me debaixo de um toldo. Ventava muito. Frio. Em alguns minutos chegara correndo um rapaz, também protegendo-se das águas. Puxei assunto, afinal não poderia ser diferente, eram eu, ele , chuva e a escuridão. Com simpatia, abriu um sorriso e começamos a dialogar. Conversa afiada à princípio, depois fomos aprofundando em assuntos, revelações...
Depois de algum tempo, quando a química da alma abre as portas do âmago, tudo é dito, apesar de nem sempre compreendido...
A chuva não parava. Trinta minutos. Uma hora. Uma hora e meia. Nada. havia perdido o treino, ele as aulas de Inglês...
Durante a conversa percebi que seus atos eram muito parecidos com os meus, desejos, frustrações e realizações pessoais também. Soube sim que de alguma forma o tempo e consequências, haviam conspirados à nosso favor. Como? Fazendo surgir neste mundo tão vazio e senseless, uma grande amizade distanciando um pouco, a cinza de algum dia-de-cão que haveremos de passar, indicando assim que amanhã, o vencedor poderá ser você...